A Bacia do Paraná 3 deve tornar-se referência nacional do Programa Agricultura de Baixo Carbono do Governo Federal, o Programa ABC. Os cerca de um milhão de hectares que compõem a região de influência do reservatório da Itaipu Binacional serão modelo para tecnologias relacionadas ao plantio direto na palha, recuperação de solos degradados, fixação de nitrogênio no solo, integração lavoura-pecuária-floresta, plantio de florestas comerciais e aproveitamento energético do biogás obtido a partir de resíduos de animais e agroindústrias. O objetivo do programa é reduzir até um bilhão de toneladas equivalentes de gases de efeito estufa até 2020, apoiando-se em técnicas de produção rural sustentáveis.
“Queremos mobilizar as forças produtivas atuantes da Bacia do Paraná 3 para executar o Plano ABC na região”, enfatizou o superintendente de Energias Renováveis da Itaipu Binacional, Cícero Bley Jr, durante o Fórum Ações na Bacia do Paraná 3 conectadas ao Programa Nacional de Agricultura de Baixo Carbono, realizado no último dia 24, durante o evento Cultivando Água Boa, no Hotel Rafain Palace, em Foz do Iguaçu.
Durante sua apresentação, Cícero destacou que é possível reduzir emissões de gases utilizando o biogás para gerar energia térmica que serve à secagem dos grãos. No Oeste paranaense, a falta de lenha constitui um problema que vem sendo conhecido como “apagão florestal”. Ali, cerca de 40% da madeira que é queimada para secar grãos vem outras regiões do Brasil e de países vizinhos. “Ainda não temos uma política de trabalho de energia térmica nas propriedades rurais. Mas acreditamos que a região possa dar uma resposta muito positiva ao ABC, na medida em que substitua a lenha pelo biogás”, salientou Bley Jr.
Para apoiar o uso de tecnologias apropriadas à mitigação de gases de efeito estufa na região da BP3, a Itaipu Binacional desenvolve há oito anos um extenso trabalho de articulação com prefeituras e cooperativas no Oeste do Paraná, em parceria com a SEAB, Emater, Iapar e Copel. A empresa estabeleceu recentemente convênios com a Embrapa e o Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA). O objetivo é aplicar recursos de investigação e pesquisa para elaborar índices e testar metodologias que permitam medir os resultados do Programa ABC na Bacia do Paraná 3. “Chegou a hora de inovar, não vamos fazer mais do mesmo”, destacou Cícero Bley Jr.
Uma Itália para o ABC
Em todo o país, a área coberta pelo Programa ABC será maior que a do território da Itália. O governo brasileiro pretende fomentar técnicas sustentáveis para que 35,5 milhões de hectares utilizados para a produção de alimentos deixem de emitir gases de efeito estufa. O objetivo é recuperar 15 milhões de hectares de pastos degradados, aumentar em 8 milhões de hectares a área com plantio direto, trabalhar com a fixação biológica do Nitrogênio em 5,5 milhões de hectares, incrementar as florestas plantadas em 3 milhões de hectares e promover o tratamento de 4,4 milhões de metros cúbicos de dejetos da pecuária.
“Vamos mostrar que podemos ajudar a alimentar o mundo em condições sustentáveis”, destacou o Secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Erickson Camargo Chandoha. Ele esclareceu que o programa ABC conta com uma linha de financiamento que prevê a injeção de R$ 3, 150 bilhões em práticas e tecnologias de produção rural sustentáveis. Deste total, somente R$ 130 milhões já foram aplicados. Estão garantidos recursos a agricultores e cooperativas, com limite de financiamento de R$ 1 milhão por beneficiário.
O crédito será financiado com taxa de juros de 5,5% ao ano e o prazo para pagamento é de 5 a 15 anos. Chandoha explicou que a política do Programa do ABC prevê ainda ações de capacitação, divulgação, transferência de tecnologia, regulamentação fundiária e ambiental, Pesquisa, desenvolvimento e inovação, assistência técnica e extensão rural pública.
O Brasil é atualmente o terceiro maior emissor de gases de efeito estufa do mundo. A maior parte das emissões é proveniente das queimadas na floresta Amazônica e na região do Cerrado. Mas a produção rural que não utiliza técnicas sustentáveis - como o plantio direto na palha realizado com qualidade, com rodízio de culturas, o não revolvimento do solo e a fixação do nitrogênio - também contribui para a emissão de gases que provocam o aquecimento da temperatura do Planeta