O superintendente da Assessoria de Energias Renováveis (ER.GB), Cícero Bley Júnior, representou a Itaipu na mesa redonda América Latina e o Caribe, da 14º Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi), nesta quarta-feira (30), em Viena (Áustria). Ao falar sobre o tema A nova revolução Industrial: tornando-a sustentável, Bley Júnior disse que “o direito de gerar energia é tão importante quanto o direito ao seu acesso”.
O superintendente propôs que a metodologia de geração distribuída fosse difundida pela Onudi como forma de incentivar o uso das energias renováveis nos países integrantes da organização. Em sua intervenção, afirmou que a geração distribuída é decisiva nas políticas de implementação de fontes renováveis, por ser uma metodologia capaz de promover a sustentabilidade ambiental e econômica, proporcionando renda às comunidades e dinamizando as cadeias de produção locais.
Bley Júnior destacou o impacto social da propagação de fontes renováveis de pequeno porte, menores que 5 kW. “As indústrias que nascem dos sistemas em geração distribuída são indústrias verdes realmente. Emergem do saber popular aliado ao conhecimento científico”.
No Brasil, o sistema de geração distribuída foi introduzido em 2004 pelo Decreto 5163, quando a agora presidente Dilma Roussef ocupava o cargo de ministra de Minas e Energia. Pela atual regulamentação, concessionárias de distribuição do setor elétrico podem comprar até 10% do total de energia comercializada anualmente de pequenas unidades geradoras. Mas não existe obrigatoriedade.
“A diferença entre estimular e obrigar a compra de energia significa tornar inexpressiva a participação desse tipo de gerador na matriz brasileira. Em vários países da América que tenho visitado, a geração distribuída ainda não foi sequer discutida”, argumentou o superintendente.
Segundo Bley Júnior, com amplos efeitos econômicos regionais, a geração distribuída não só viabiliza unidades geradoras de pequeno porte como também promove a eficiência energética regional, reduzindo os custos da energia para atividades eletro-intensivas e viabilizando o emprego de todas as fontes renováveis disponíveis (solar, eólica, biogás, hidráulica).
O sistema ainda permite usar a rede para trafegar dados em banda de ultralarga velocidade, sem prejuízo para a função original de distribuição, que caracteriza o conceito de redes inteligentes (SmartGrids). Além disso, produz desenvolvimento local por meio de cadeias de suprimentos que estão relacionadas às energias renováveis, envolvendo distintos ofícios (mecânicos, eletricistas, vendedores de insumos e equipamentos, entre outros). Esta metodologia também fortalece o capital cognitivo local ao exigir a capacitação de pessoas em diversos níveis.
Rumo à Rio + 20
O superintendente também anunciou o trabalho que vem sendo desenvolvido com a Ounidi para a implantação no Parque Tecnológico Itaipu (PTI) de um Centro Internacional de Energias Renováveis, com ênfase em biogás.
“Este centro está sendo planejado para operar em rede com outras instituições dedicadas às energias renováveis no Brasil, na América Latina e na cooperação Sul-Sul. Suas instalações técnicas serão descentralizadas, porque entendemos que as energias renováveis dependem em grande parte das condições locais de clima, biodiversidade e da cultura dos povos”, disse Bley Júnior.
A previsão é de que o Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás seja inaugurado em junho de 2012, na Conferência Mundial da ONU, Rio + 20.